
Mila Seidl, esposa do influenciador Lito Souza, confirmou na noite desta segunda-feira (14) que o influenciador recebeu a substância experimental ALN-6457. O produto é usado como tentativa de tratamento para a DCJ (doença de Creutzfeldt-Jakob).
Em vídeo nas redes sociais, Mila explicou que Lito já estava na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) por conta de complicações e que segue internado, sem previsão de saída, mesmo após o uso da medicação. Todavia, o influenciador não apresentou qualquer reação ao produto, o que era uma possibilidade, já que a substância não havia sido testada em humanos.
De acordo com Mila, a equipe médica espera que, em seis semanas, exames possam mostrar se há alguma mudança no quadro após a aplicação. O objetivo da substância-teste é reduzir o marcador que produz a proteína prônica no cérebro, que é a base para a DCJ, doença de Lito. Na patologia, a proteína se dobra de forma anormal, causando complicações no cérebro.
Experimentos iniciais apontaram que o possível tratamento consegue reduzir o RNA mensageiro responsável pela produção da proteína em camundongos. Porém, isso não é uma prova de que a medicação pode impedir o avanço da doença.
O influenciador realiza um uso compassivo da medicação — ou seja, quando pacientes com doenças graves ou debilitantes têm acesso a medicamentos e produtos ainda experimentais e sem registro sanitário por não haver alternativas terapêuticas eficazes disponíveis.
Como a substância funciona
Documentos publicados pela empresa responsável mostram que a tecnologia usa uma pequena molécula chamada siRNA para acionar mecanismo celular conhecido como interferência por RNA. Ela funciona como um freio, entrando na célula e fazendo-a parar de produzir uma proteína específica.
Dentro da célula, a molécula é processada por um conjunto de proteínas que funciona como uma espécie de sistema de busca, indo atrás das cópias de RNA mensageiro que carregam a receita da proteína-alvo e destruindo-as antes que virem uma proteína completa. O grande desafio é fazer com que a molécula chegue a essas células-alvo e se mantenha lá.
A substância, no entanto, não desfaz o dano já causado nem repara as proteínas que já dobraram de forma anormal. Ela desacelera o avanço da doença, freando a velocidade com que novas células passam a produzir a versão problemática da proteína.