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Falta de asfalto trava o desenvolvimento do bairro Vale do Taquari, em Coxim

Coxim segue como exemplo contundente de como a falta de investimento em infraestrutura funciona como um mecanismo de exclusão, travando o desenvolvimento e perpetuando a desigualdade

Sheila Forato

(Foto: Sheila Forato)

Enquanto os discursos oficiais de desenvolvimento ecoam em palanques e propagandas, uma realidade paralela e paralisante se desenrola em bairros de Coxim. A equipe de reportagem do Edição MS visitou, nesta sexta-feira (11), o bairro Vale do Taquari para documentar como a ausência de drenagem e pavimentação asfáltica não gera apenas poeira e lama, mas funciona como um cadeado, impedindo o crescimento econômico e social de toda a região. 

O cenário encontrado foi o mesmo de promessas acumuladas e frustração popular documentado no Conjunto Primeiro de Maio, reforçando a percepção de que a infraestrutura urbana é uma dívida histórica com essas comunidades.

A reportagem conversou com a comerciante e líder comunitária Iraci Francisca da Cruz Silva, de 58 anos, que mora no Vale do Taquari há 25 anos. Dona de um pequeno bar que abre apenas à tarde, Iraci é o exemplo vivo do potencial travado pela poeira. Ela possui todas as condições legais para expandir seu negócio e servir refeições, um serviço que não existe no bairro e que os moradores precisam buscar no centro de Coxim ou no distrito de Silviolândia. 

(Foto: Sheila Forato)

No entanto, o sonho de crescer bate de frente com a realidade da rua de terra batida.

"Se passasse o asfalto aqui eu ia ter mais atividade para fazer, né? Eu tenho a estrutura toda pronta ali no fundo para servir almoço e janta, mas na poeira não tem como. Enquanto não houver asfalto, meu comércio não pode crescer"

 O caso dela não é isolado. A infraestrutura precária desestimula novos investimentos, desvaloriza imóveis e limita a criação de empregos locais, mantendo o bairro dependente economicamente.
Além de travar a economia, a falta de asfalto é um obstáculo direto à saúde pública e à qualidade de vida. O diagnóstico sanitário do Vale do Taquari revela uma situação crítica, com acesso restrito, por vias não pavimentadas que se transformam em lamaçais intransitáveis em dias de chuva, dificultando a locomoção de pedestres e veículos. Em dias secos, a poeira suspensa agrava problemas respiratórios, afetando principalmente crianças e idosos.

Histórico de promessas e frustrações 

O tão prometido asfalto nunca chegou. Essa ausência de obras acontece apesar dos constantes anúncios políticos. O cronograma de promessas mostra que a comunidade assiste a um ciclo de anúncios, desde as promessas de campanhas municipais, passando pelas promessas estaduais ligadas ao programa MS Ativo Municipalista criado pelo governador Eduardo Riedel com várias propostas, dentre elas, a de asfaltar 100% das ruas de terra dos municípios sul-mato-grossenses. 

Ao final, essas promessas são carimbadas com o selo “não cumpridas” e a realidade de Coxim, infelizmente, segue como exemplo contundente de como a falta de investimento em infraestrutura funciona como um mecanismo de exclusão, travando o desenvolvimento e perpetuando a desigualdade.