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Gaeco pede perda de cargo para delegado e nove policiais denunciados por desviar drogas

Operação Infiltrados revelou suposto esquema que desviava drogas apreendidas de delegacia

Midiamax/LD

(Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado) pediu à Justiça a perda dos cargos do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, de outros oito policiais civis e um policial penal.

O pedido consta na denúncia oferecida no dia 9 de outubro, que também pede a condenação dos agentes públicos por crimes de integrar organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de capitais e tráfico de drogas em alguns casos.

Os alvos do pedido de perda de cargo são:

Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa – delegado da Polícia Civil Douglas Tobias — policial civil Luiz Carlos de Souza — policial civil Marcos André Santos Chaves — policial civil Nelson Ricardo Barros de Oliveira — policial civil Neverson Vieira de Araújo — policial civil Nilton Cesar Sales dos Santos — policial civil Roberto Palmeira da Silva — policial civil Augusto Torres Galvão Florindo — policial civil Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos — policial civil

Conforme a denúncia, a medida é necessária “haja vista que as condutas criminosas por eles praticadas tornam incompatível a sua permanência nos quadros da Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul e da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário do Estado de Mato Grosso do Sul (AGEPEN/MS)”.

Por fim, o Gaeco pede o pagamento de R$ 10 milhões dos denunciados “a título de danos morais coletivos, bem como para a reparação dos danos causados pelas infrações perpetradas pelos denunciados”.

A denúncia representa a acusação formal do Ministério Público e será analisada pelo juízo quanto ao possível recebimento das acusações. Caso seja aceita, a ação terá continuidade, com abertura de prazos para as defesas.

Conforme a acusação, o esquema funcionava de duas maneiras: policiais deixavam de registrar oficialmente parte dos entorpecentes efetivamente apreendidos ou retiravam drogas diretamente do depósito da delegacia. Os produtos eram, então, repassados a traficantes ligados ao grupo, que cuidavam da comercialização.

A denúncia abrange um total de 23 pessoas envolvidas no esquema. Inclusive dois policiais militares ao que o MP informou que a denúncia contra eles será apresentada à Justiça Militar.

A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco em 24 de setembro de 2026, com cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão. As investigações tiveram origem em elementos encontrados durante as operações Traquetos e Blindspot.

Defesa de delegado diz que denúncia é baseada em recortes

A defesa do delegado Hoffman, feita pelo advogado José Roberto Rosa, afirma que as provas apresentadas serão questionadas durante a instrução processual. Segundo o advogado, a análise dos elementos em seu contexto integral deve demonstrar que o delegado não participou dos ilícitos investigados.

“Infelizmente, há indicações de que pessoas que agiam sob o comando do delegado teriam, de alguma forma, agido contra a lei, mas não há indicação direta de participação dele [Hoffman], a não ser recortes com indicações e suposições de que ele teria aderido a essa conduta”, afirmou Rosa.

O advogado também destacou que as provas serão contestadas durante o processo judicial e demonstrou confiança no resultado. “Temos certeza de que, ao final, a verdade vai prevalecer e vai ficar demonstrado que o delegado não teve qualquer participação nesses eventos”, declarou.