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Polícia interrompe festa do Dia das Crianças financiada por facção e prende organizadoras em Sonora

Investigação aponta que evento infantil com distribuição de brinquedos era estratégia para cooptar a comunidade e fortalecer influência no município

Da redação/SF

(Foto: Divulgação)

O que deveria parecer uma ação comunitária em celebração ao Dia das Crianças se revelou, segundo a Polícia Civil, uma manobra orquestrada por integrantes de uma facção criminosa para expandir sua influência territorial e angariar simpatia popular em Sonora. Na manhã desta segunda-feira (12), uma ação conjunta entre as polícias Civil e Militar resultou na prisão em flagrante de duas mulheres apontadas como operadoras da organização no momento em que preparavam a estrutura da festa.

A intervenção policial ocorreu em um espaço de eventos localizado na Avenida Padre Anchieta. No local, as equipes identificaram e prenderam A.C.D.E. e A.O.S., que atuavam diretamente na logística e organização do ato. Durante as buscas no recinto, foram apreendidos cerca de 200 brinquedos e 77 unidades de algodão-doce que seriam distribuídos durante a comemoração.

As investigações da Polícia Civil revelaram uma divisão bem definida de papéis entre as suspeitas para viabilizar o evento sem despertar suspeitas imediatas. Uma das mulheres era responsável pelo recebimento, transporte dos brinquedos e compra dos gêneros alimentícios destinados aos participantes. A outra investigada cuidava da locação de brinquedos recreativos, da estrutura do local e da intermediação financeira com fornecedores.

A Polícia Civil trabalha ainda na identificação de um terceiro indivíduo, suspeito de atuar diretamente no aporte financeiro e custeio dos serviços da festividade com recursos oriundos do crime organizado.

Histórico ligado ao tráfico e a 'Disciplina' da facção

Ambas as presas já figuravam em relatórios de inteligência policial por envolvimento prévio com a facção criminosa no município:

·         A.C.D.E.: Já havia sido citada em investigações no ano de 2024 que apontaram ligações diretas com lideranças da facção criminosa e registros associados ao tráfico de drogas.

·         A.O.S.: É mencionada em apurações graves sobre crimes de tortura, cárcere privado e ameaça. Os indícios apontam que ela exercia funções disciplinares e administrativas ("tribunal do crime") no organograma do grupo na região.

Falsa ação social como cooptação territorial

A utilização de eventos comunitários e distribuição de presentes é apontada pelos investigadores como uma estratégia recorrente de facções criminosas para construir uma imagem de "assistencialismo", criando laços de dependência e cooptação com a população local.

A Polícia Civil ressalta que a realização de eventos sociais e festividades comunitárias é uma atividade inteiramente lícita e legítima, mas reforça que o foco da investigação é justamente coibir a instrumentalização e o financiamento de ações sociais por grupos criminosos para mascarar o tráfico e enfraquecer a presença do Estado.