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Prefeito de Rio Verde admite questionamento ético e afirma que pode cancelar concurso se houver impedimento legal

Em entrevista exclusiva, Réus Fornari confirmou que não impediu a inscrição do secretário de Administração por falta de vedação expressa

Sheila Forato

(Foto: PC de Souza)

Em entrevista concedida ao Edição MS, o prefeito de Rio Verde de Mato Grosso (MS), Réus Antônio Sabadotti Fornari, se manifestou publicamente pela primeira vez, nesta segunda-feira (5), sobre a polêmica participação do secretário Municipal de Administração e Gestão, Joelson de Almeida Furtado, no Concurso Público nº 001/2026. O gestor assinou o contrato com a banca e atua como fiscalizador enquanto concorre ao cargo de Procurador Jurídico.

Questionado sobre a dupla função do secretário, o prefeito afirmou que chegou a consultar o setor jurídico antes da realização das provas para saber se havia algum impedimento legal. "Se tem um impedimento legal que você não pode fazer, você não vai fazer... Me disseram: 'Não, não tem esse impedimento'. Se não tem impedimento, eu não posso impedi-lo de fazer", justificou Réus Fornari.

Admissão de conflito com o princípio da Impessoalidade

Apesar de alegar ausência de vedação legal direta para impedir a inscrição, o prefeito admitiu abertamente que a situação gera ruído frente ao princípio constitucional da impessoalidade. "Eu acho que sim, tem essa questão, não tenho dúvida que tem essa questão. Mas como é que você vai proibir? Ele é uma pessoa que presta um trabalho maravilhoso... Eu achei que é um direito dele", pontuou o chefe do Executivo.

Possibilidade de cancelamento

O ponto mais marcante da declaração do prefeito foi a disposição em anular todo o processo caso fiquem demonstradas irregularidades ou havendo determinação dos órgãos de controle.

"Se decorrer o concurso e tiver impedimentos legais, ou se for forçado por conta desse caso... eu cancelo o concurso. Aliás, pode ter certeza que não vou ficar bravo, eu cancelo o concurso, não tem problema nenhum", garantiu Réus Fornari.

O prefeito informou ainda que, até à data da entrevista, não tinha conhecimento de denúncias contra o certame, pois, a Prefeitura não recebeu nenhuma notificação oficial por parte do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).