
Novas revelações sobre a rota de navegação aérea da aeronave executiva utilizada pelo secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez Ramos, levantam novos questionamentos sobre o deslocamento realizado no feriado de 7 de setembro. O detalhamento do trajeto do voo, obtido por meio de dados públicos do sistema de monitoramento aéreo e divulgado pelo deputado estadual João Henrique Catan (Novo), candidato a governador, expôs divergências entre os registros de tráfego aéreo, as imagens gravadas no aeroporto e a versão apresentada timidamente.
Conforme os dados de monitoramento do radar trazidos a público pelo parlamentar, o jato Embraer EMB-505 Phenom 300 (prefixo PS-VFA), pertencente à Bradesco Leasing e operado pela VLBM Participações Ltda., empresa ligada a acionistas do grupo J&F/JBS, não realizou uma viagem simples de ida e volta partindo de Campo Grande.
Os registros aéreos apontam contradições que alimentam o debate público. O voo decolou de uma pista particular localizada em uma propriedade rural do grupo JBS no estado de Goiás, pousando no Aeroporto Internacional de Campo Grande por volta das 11h50.
A aeronave permaneceu apenas 50 minutos na capital sul-mato-grossense antes de descer passageiros, descarregar bagagens e decolar de volta para o estado goiano. Os dados do controle aéreo não indicam a decolagem prévia desse jato partindo de Campo Grande para levar o secretário até Goiás. A ausência de registro gera o questionamento central.
Como o integrante do primeiro escalão do governo chegou até a fazenda em Goiás para embarcar de volta no jato executivo?
Catan contrapôs os horários de desembarque no aeroporto com declarações prestadas à Justiça Eleitoral pela defesa governista, que alegava a presença do secretário em agendas urbanas na capital durante o mesmo período.
Ao desembarcar na capital, Rodrigo Perez foi registrado ao lado de Thiago Amorim Silva, advogado e representante titular do Governo do Estado no Plenário da JUCEMS (Junta Comercial de Mato Grosso do Sul. As imagens mostram a movimentação de um grande volume de malas sem origem declarada sendo retiradas da aeronave particular.
A presença de ocupante de cargo comissionado manuseando bagagens privadas em dia feriado reacendeu as cobranças por transparência quanto ao uso de pessoal e recursos da máquina pública para fins particulares.
Desdobramentos
O impacto dos dados da rota aéreo levou o caso para a tribuna da Assembleia Legislativa da Mato Grosso do Sul. Em pronunciamento acalorado, Catan exigiu a abertura formal de investigações.
"Subi à tribuna para cobrar respostas sobre um caso que não pode ser tratado como se nada tivesse acontecido. Jatinho, secretário de Estado, malas e uma série de perguntas que precisam ser esclarecidas. Não estamos fazendo acusações sem provas. Estamos cobrando investigação, transparência e respostas"
A gravidade dos dados levou Catan e o também candidato ao governo Fábio Trad (PT) a acionarem a Polícia Federal e o Ministério Público. Os pedidos solicitam a busca e preservação urgente das imagens de segurança do aeroporto de Campo Grande, a identificação dos passageiros e da carga transportada, além da apuração de possível improbidade administrativa e conflito de interesses pela utilização de aeronave ligada a um grupo empresarial beneficiado por políticas de incentivo do Estado.