
A geração de 25 a 44 anos - especialmente entre evangélicos e homens do Sudeste - virou o principal ponto de perda de apoio de Lula e pode empurrar a disputa para um cenário mais favorável a Flávio Bolsonaro, diz José Roberto de Toledo no A Hora, do Canal UOL.
Segundo Toledo, cruzamentos de variáveis do Datafolha - com bases de agosto e setembro unificadas - mostram que a chamada "geração 2013" concentra as maiores vantagens de Flávio e, no segundo turno, responde pelos segmentos que mais apertam a eleição.
O reduto onde o Flávio tem a maior vantagem proporcional sobre o Lula é entre homens evangélicos da geração 2013, ou seja, que têm entre 25 e 44 anos. Nesse segmento, a vantagem do Flávio sobre o Lula no primeiro turno é de 29 pontos percentuais. Em seguida vêm as mulheres evangélicas da mesma faixa etária, onde tem 25 pontos de vantagem do Flávio. Resumindo, os segmentos da população que têm maior peso para o Flávio são homens e mulheres evangélicas, principalmente de 25 a 44 anos.
José Roberto de Toledo
Toledo detalha que, entre homens evangélicos de 25 a 44 anos, a diferença chega a 29 pontos, o que, no total da intenção de voto, representa dois pontos percentuais a mais para Flávio. Entre mulheres evangélicas da mesma faixa etária, a vantagem é de 25 pontos, com impacto de quase dois pontos.
Para ele, a conta deixa claro o tamanho do desafio de Lula nesse grupo. Ele afirma que, nesse eleitorado, Lula aparece com 20% e Flávio com 45%, e que reduzir a diferença exigiria uma transferência grande e direta de votos.
Teoricamente é possível, mas é muito ponto. Você vai conseguir diminuir talvez essa diferença, mas anular essa vantagem de 25 pontos do Flávio é muito tende ao impossível.
José Roberto de Toledo
No outro polo, Toledo diz que o "coração do eleitorado lulista" aparece entre os mais velhos com escolaridade mais baixa e no Nordeste. Ele cita que homens com ensino fundamental e 45 anos ou mais dão a Lula uma vantagem de 31 pontos, com impacto de 3,3 pontos percentuais no total.
Ele também aponta mulheres nordestinas de 45 anos ou mais como um dos grupos de maior diferença: 38 pontos a favor de Lula, com impacto de 2,6 pontos percentuais. E cita homens nordestinos de 45 anos ou mais com diferença de 44 pontos (62 a 18), também com impacto de 2,6.
Na simulação de segundo turno, Toledo afirma que Flávio "dá um salto" e passa a disputar em empate técnico com Lula. Nesse cenário, ele diz que os segmentos em que Flávio abre vantagem se concentram de novo na faixa de 25 a 44 anos.
Você vê que a geração 2013 é responsável por todos os segmentos em que o Flávio abre vantagens sobre o Lula no segundo turno. Essa geração realmente é o grande calcanhar de Aquiles do Lula. Elas estão indo pro Flávio, principalmente na simulação do segundo turno. Ou seja, o cara primeiro não gosta do Lula. Depois, eventualmente, ele opta pelo Flávio.
José Roberto de Toledo
Toledo diz que, além da disputa por voto, a campanha precisa olhar para a abstenção, caso a diferença fique em "um, dois, três, quatro pontos". Ele avalia que, com margens pequenas, a mobilização para levar o eleitor às urnas vira fator decisivo.
Se a diferença ficar nessa faixa de um, dois, três, quatro pontos, a abstenção vai ser absolutamente crucial.
José Roberto de Toledo
Toledo também descreve uma tendência recente: "leve declínio" de Lula e ganho de Flávio, não por aumento de simpatia, mas por receber parte do eleitorado que sai de Lula. Ele afirma que nem toda essa migração vai direto para Flávio, porque uma parcela passa antes por outros candidatos.
O problema dele tá sendo perder as mulheres, principalmente as mulheres nesse segmento de 25 a 44. Elas estão saindo do Lula e estão fazendo um estágio em outros candidatos antes de passar para o Flávio. Então é essa sangria que ele precisaria estancar com alguma política especialmente voltada para as mulheres e com impacto econômico, que elas sentissem no bolso.
José Roberto de Toledo
Na avaliação de Toledo, o comportamento da geração de 25 a 44 anos tem forte componente econômico, mas não aparece apenas nos indicadores tradicionais. Ele diz que há um "mal-estar" ligado a endividamento, crédito caro e sensação de carestia, mesmo com inflação baixa.