
Uma decisão sem consulta prévia aos demais prefeitos provocou forte mal-estar nos bastidores do Cointa (Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Taquari). O presidente da entidade e prefeito de Camapuã, Manoel Nery, exonerou o coordenador técnico Pedro Freitas de Oliveira, o "Pedrinho", provocando reações dos gestores consorciados.
Apesar de a legislação dos consórcios públicos conferir ao presidente a prerrogativa formal para nomear e exonerar cargos comissionados, a atitude de tomar a decisão sem diálogo prévio com as cidades consorciadas foi recebida com surpresa e descontentamento.
Prefeitos confirmam falta de diálogo
A falta de aviso prévio atingiu até mesmo a maior cidade da região norte do estado. O prefeito de Coxim, município onde fica a sede do Cointa, Edilson Magro, também foi apanhado de surpresa e só tomou conhecimento do desligamento do coordenador após ser questionado pela equipe de reportagem do Edição MS.
A insatisfação com a falta de aviso prévio atinge gestores de múltiplos municípios. A prefeita de Sonora, Clarice Ewerling, confirmou que não foi consultada sobre o desligamento e lamentou abertamente a saída do servidor. Segundo a gestora, Pedrinho desempenhava um papel fundamental no suporte direto às prefeituras.
Na mesma linha, o prefeito de Alcinópolis, Weliton Guimarães, que integra o Conselho Fiscal, revelou como a notícia foi comunicada. “Fomos pegos de surpresa por uma notificação genérica enviada pela presidência”.
Além de não ter sido consultado, o prefeito de Pedro Gomes, Murilo Jorge Vaz, ficou sabendo da exoneração por nossa reportagem e lamentou a exoneração e teceu comentários elogiosos ao ex-coordenador, definindo Pedrinho como o verdadeiro suporte do Cointa e uma pessoa focada em apresentar resultados para a região.
O Edição MS busca ouvir os demais prefeitos consorciados e incluirá seus posicionamentos à medida que responderem aos contatos da reportagem.
Reunião do Cointa terá cobrança por explicações
A insatisfação generalizada deve transformar a próxima agenda oficial do consórcio em um ambiente de forte cobrança. Está confirmada para esta quinta-feira (7), uma reunião presencial dos prefeitos integrantes do Cointa.
Fontes ligadas aos municípios confirmam que os gestores pretendem colocar a demissão na pauta principal do encontro e exigir que o presidente Manoel Nery apresente as justificativas técnicas e administrativas que motivaram o desligamento imediato de quem gerenciava áreas estratégicas da entidade.
Deslocamento presencial e timing pós-eleitoral
A apuração indica que a demissão ocorreu de forma atípica e como um fato consumado. O presidente Manoel Nery se deslocou pessoalmente até Coxim com a finalidade exclusiva de notificar Pedrinho sobre sua dispensa.
Quando o ex-coordenador foi comunicado presencialmente, o decreto de sua exoneração já estava, inclusive, publicado no Diário Oficial com a data do próprio dia, sem que nenhuma justificativa formal fosse apresentada na ocasião.
Outro ponto central da apuração é o timing: a movimentação foi efetuada logo após o encerramento do período eleitoral. A apuração aponta que o ato foi represado durante o pleito para evitar atritos políticos e desgastes entre os aliados da região.
Perda de memória técnica
Com trajetórias no Cointa iniciadas em 2009 (com passagens entre 2009–2012 e de 2017 até a atualidade), Pedro Freitas de Oliveira acumulava quase 15 anos de atuação na entidade. Sob sua responsabilidade direta estavam áreas de impacto direto na rotina dos municípios.
A saída sem aviso prévio levanta incertezas entre os prefeitos sobre como será feita a transição na gestão desses equipamentos públicos e quem passará a responder pelo controle técnico dos serviços contratados.
Outro lado
O espaço permanece aberto para que o presidente do Cointa, Manoel Nery, se manifeste sobre a ausência de consulta aos municípios, a motivação do desligamento e a pauta cobrada pelos prefeitos na reunião do consórcio.
