MMN/PCS
ImprimirO Conselho Tutelar Sul acompanhava a família de Emanuelly Victória Souza Moura, 6 anos, desde 2020, com denúncias de maus-tratos, como não ser alimentada corretamente e faltar a escola. A família da menina, Emanuelly acredita que Marcos Willian Teixeira Timóteo, tenha oferecido guloseimas para conseguir sequestrá-la na manhã de quarta-feira (27).
Segundo informações, o último atendimento do conselho a família foi em maio, quando em uma das agressões sofridas acabou com a menina com o braço quebrado. Conforme informações, a menina não era alimentada adequadamente.
Devido às agressões sofridas, Emanuelly também deixava de frequentar a escola. Quando recebeu atendimento no órgão, o padrasto, afirmou que as denúncias eram devido a desentendimentos familiares e que a renda da família é limitada ao Bolsa Família.
Na época, foi relatado que mesmo com dificuldades, o básico para as crianças estava sendo garantido. Equipes do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Guanandi acompanhavam a família, mas na época do atendimento não foram identificados indícios de violação de direitos das crianças nem de violência sexual, apenas situação de vulnerabilidade social.
Gritos de desespero
O relógio marcava 2h22 da madrugada, quando a mulher, que está grávida, passou na Rua São Gabriel gritando e chamando pela filha. O áudio desesperador foi capturado por uma câmera de segurança, onde a mulher dizia: “Minha filha!”.
O crime brutal chocou a cidade de Campo Grande. Além do áudio da mãe, câmeras de segurança registraram Emanuelly e seu assassino andando pelas ruas do bairro, ao lado de um cachorro. Entretanto, o que a família não sabia era que aquele seria o último registro dela viva.
“Ele [Willian] veio e pegou a menina cedo aqui, por volta das 8 horas. Quando foi 11 horas, ele foi comigo fazer uma diária de serviço e ficou a tarde inteira comigo, minha filha lá na casa dele, já morta”, detalhou o pai David Bernardes, de 26 anos.
Assassinato
Emanuelly foi encontrada morta numa banheira, embaixo de uma cama, dentro da residência de Marcos Willian, localizada na Rua Joaquim Manoel de Carvalho, na Vila Carvalho, em Campo Grande.
Quando os policiais chegaram à casa do suspeito, encontraram a residência vazia. O chão da cozinha estava sujo de barro e com marcas de chinelo. Com isso, eles entraram na casa e fizeram uma varredura.
Em um dos cômodos, os policiais ergueram uma cama e, embaixo, estava uma banheira de bebê contendo, em seu interior, um volume grande enrolado em uma coberta marrom, presa com fita adesiva. Ao abrirem parcialmente a coberta, Emanuelly foi encontrada morta.
Alta periculosidade
Aos 14 anos, Marcos Willian estuprou um bebê de 1 ano e 5 meses, abandonando a criança em meio a um matagal. O bebê sobreviveu. Anos depois, Marcos estuprou de forma contínua a enteada. Ele ainda era adolescente quando cometeu este outro estupro.
Mas por que Marcos Willian estava solto? Perante a lei, ele cometeu, ainda quando adolescente, um ato infracional, uma infração análoga a crime, que está prevista no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Neste caso, o adolescente é considerado inimputável penalmente, o que significa que ele não é criminalmente responsável como um adulto. Marcos Willian passou por duas vezes pelo sistema da Unei (Unidade Educacional de Internação), com medidas socioeducativas aplicadas para ele.
Quando adulto, ele teve passagem por violência doméstica.